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	<title>little writings &#8211; Sinceramente, eu</title>
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	<description>Um blog sobre tudo e nada</description>
	<lastBuildDate>Sat, 20 Feb 2021 01:08:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>little writings &#8211; Sinceramente, eu</title>
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		<title>Sem palavras. Sem poesia. Sem nada.</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/sem-palavras-sem-poesia-sem-nada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Feb 2021 01:08:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
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					<description><![CDATA[As palavras me fogem à mente. Sem versos ou rimas, elas se amontoam para formar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As palavras me fogem à mente. Sem versos ou rimas, elas se amontoam para formar o nada. Apenas o vazio repleto de letras sem significado, sem propósito, sem luz. Sem cor ou textura. Desisto? Não, insisto.</p>



<p><br> Insisto em deixar as letras formarem palavras. Sentenças curtas. Ou longas. União de emoções transformadas em pequenas gotas de pensamentos esvaziados. Um retrato da inquietação que aflige a alma, que está tão cansada de simplesmente pensar sobre o futuro incerto e o presente estarrecedor.</p>



<p><br> Os sentimentos vêm no ritmo da música. Soberbos. Altos. Incessantes e sufocantes. Tímidos, roubam a capacidade de criar poesia. De simplesmente criar. Limitam o infinito em a doses homeopáticas de desalento. Pequenos fragmentos que não ilustram metade da explosão que tira o sono e arrepende o passado.<br> O sentir me calou. Levou as palavras para si. Amanhã, vou roubá-las novamente para mim.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>As cartas que eu nunca enviei – I</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/as-cartas-que-eu-nunca-enviei-i/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2020 02:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[Querido W: Não sei como tudo acabou assim. Em um pequeno instante, o mundo se]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Querido W:</strong></p>



<p>Não
sei como tudo acabou assim. Em um pequeno instante, o mundo se afogou em mágoas
e cada momento que vivemos foi transformado em pó. Ao menos, foi essa a
sensação que eu tive quando te encontrei e você nem se deu o trabalho de me
cumprimentar. Seu olhar atravessou meu corpo com tanta insignificância que
pensei que, se eu fosse uma estranha, você teria prestado mais atenção às lágrimas
que berravam ao mundo a dor que eu mal suportava carregar.</p>



<p>A
dor, tão aguda quanto salgada, corroeu meus pensamentos de maneira cíclica.
Nesse carrossel de sentimentos não havia diversão: apenas a vontade de vomitar
todas as mentiras que você me vendeu. O quanto eu era única. O amor infinito
que você tinha por mim. E as promessas tão grandes que eu acreditei tão
cegamente. Para mim, eu já tinha conquistado o mundo: eu já tinha você. Para
você, o mundo era todo o resto, tudo onde não havia mais eu.</p>



<p>Não
sei quando eu percebi que você simplesmente esqueceu. Ou fingia esquecer.
Durante um bom tempo eu sentia seus pensamentos como fantasmas que me seguiam.
Você não me queria mais, mas não me deixava ir. O orgulho de se sentir
desejado. A luxúria de um passado que você desejava, mas que não tinha coragem
de assumir. As saídas tão fáceis criadas em sua mente, com os vilões que você
desenhou na sua própria sombra. </p>



<p>Você
devastou o jardim da minha casa e ainda disse que a destruição tinha sido
minha. Deixou-me sozinha com a falsa esperança de futuro. Foi para longe e
ainda encontrou uma forma de assombrar meus dias. Talvez fosse vingança. Hoje,
penso que era apenas egoísmo.</p>



<p>Consigo
ver como toda sua foi história previsível: as saídas nos mesmos locais. As
mesmas canções. E as tão conhecidas desculpas pequenas para se aumentar e reduzir
os demais. E ainda vivendo os nossos sonhos como se fossem apenas seus.
Querendo ainda destruir o meu futuro com mentiras tão assustadoras que me pego
pensando se você realmente acreditava que eu te amaria para sempre. Porque eu,
durante algum tempo, na ignorância da juventude, acreditei.</p>



<p>Há situações que eu vou levar para sempre comigo. Não com mágoa. Não com carinho. Apenas com tristeza de saber que aquela pessoa que eu tanto amei nunca mais existiu. E apenas com a felicidade de saber que suas escolhas foram as melhores possíveis para mim.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Impossibilidade</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/impossibilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2020 03:54:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu lembro de todos os planos que você fez. A inocência de quem sempre acredita]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu lembro de todos os planos que você fez. A inocência de
quem sempre acredita que a mudança é possível. Você esperava que ele pudesse te
observar da mesma maneira como da primeira vez. Ah, aquela primeira vez, quando
seus lábios se tocaram com tanta delicadeza que a paixão tomou conta de seu
corpo e sufocou sua boca com o gosto gelado de menta e cerveja. </p>



<p>Entretanto, você virou enfeite. Jogada na sala, sozinha na
cama. Brigando entre os amigos, as noites, o futebol, o cachorro, a lua ou
qualquer barulho. Como se qualquer movimento fosse suficiente para fazê-lo
olhar para fora e desviar a atenção que deveria ser sua.</p>



<p>Você até achava que o problema era comum, mesmo sendo
incomum para você. Por isso, chorou no banheiro, não contou para suas amigas e
respirou fundo jorrando esperança. Usou sua melhor roupa. Passou o seu batom
vermelho. E se olhou confiante no espelho para um vazio que você não sabia
explicar. A decepção borrou seu rosto de preto e o vermelho estampou a taça
que, sem companhia, devorou uma garrafa de vinho com a mesma facilidade que uma
criança toma um sorvete.</p>



<p>Ele não viu os sinais. Ou talvez tenha sido você. Conviver
no mesmo espaço sem compartilhar os sonhos era a rotina. Dois estranhos
dividindo a cama, encostando os corpos, mas perdendo a conexão de almas. O
estopim para o fim, que deveria ter chegado mais cedo.</p>



<p>Você juntou seus pertences naquela noite, e ele, abismado,
jurou que mudaria. Toda a atenção para o que estava acontecendo. Toda a atenção
para o hoje, sem considerar o amanhã. Toda esperança transformada em intimidade
e atitudes tão sinceras que poderiam dizer que o futuro seria diferente. Só
vocês dois como protagonistas de uma nova história tão conhecida a ponto de
você fingir – porque, no fim das contas, você sabia qual seria o final. E o
final sempre é o retorno a um novo começo, ao vazio da casa abandonada e às
mágoas que você não conseguiria apagar.</p>



<p>Chegou então aquele momento de colocar as malas nas roupas,
separar os bibelôs das estantes e brigar para ver quem ficaria com o gato. Seu
olhar cansado ainda carregava a inocência, mas dessa vez, de forma culposa. De
alguma maneira, você acreditava que poderia ter feito algo diferente. Talvez
tentar mais um dia. Ou ter desistido antes. Você só se sentia desacreditada, um
imenso elefante ignorado na casa como se fosse uma pequena partícula de pó.
Sentia que os dias tinham passado e que você perdeu as chances de ter feito
algo diferente. Ficou, então, a desilusão de ter que esquecer algo que ainda
batia em seu coração.

“Ter
que continuar sempre é difícil” foi o que você me disse enquanto degustava uma
taça de vinho no seu restaurante predileto. As cicatrizes ainda eram visíveis
em seu rosto inapto para alegrias passageiras e noites sem futuro. Tudo que
você queria era esquecer e continuar, mesmo que isso significasse renunciar a toda
a verdade de quem você era e das mentiras que carregou consigo por tanto tempo.



</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Trem das nove e três</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/trem-das-nove-e-tres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2020 12:02:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu estava atrasada. Enquanto isso, eu olhava para os trens que passavam ansiosamente, como se]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu estava atrasada. Enquanto isso, eu olhava para os trens que passavam ansiosamente, como se isso fosse suficiente para fazer com que eles corrigissem a minha falta de planejamento. Naquele dia, o despertador tinha falhado, e os minutos que fiquei a mais na cama foram responsáveis por uma hora perdida entre alarmes que não deveriam ter sido desligados.</p>



<p>O trem, então, chegou. Enquanto a multidão descia, empurrando sem medo quem quisesse entrar, eu te vi na janela. Veio então um estranhamento conhecido, como se encontrar aquele olhar já fizesse parte da minha vida. E então, seus olhos azuis decidiram que havia algo em mim para ser visto. Não consegui desviar o olhar, mas você piscou, esboçou um sorriso e olhou para frente, voltando para seu mundo &#8211; um mundo em que eu não existia.</p>



<p>O ar me faltou por alguns instantes. Ajeitei minha mochila, subi as escadas e quase fui vítima da porta que subitamente se fechou. Ainda consegui ouvir a gravação que indicava que a direção que eu escolhi era Greenwich, mas a partir dali, o barulho se tornou meu silêncio, replicando aquelas cenas tão esquisitas que eu já tinha visto acontecer nos filmes.</p>



<p>Fui ganhando espaço entre as pessoas para chegar até o vagão em que você estava. A força que me arrastou foi inacreditável. Era como se eu tivesse que estar ali, perto de você, mesmo que eu não conseguisse entender o que estava acontecendo. Segurei-me na barra, trouxe minha mochila para frente e puxei meu celular para ver as horas. O relógio me respondeu com um brilho único: 9h03. É, eu realmente estava atrasada.</p>



<p>O trem docemente arrancou da estação, e eu me dei conta de que nunca estive ali naquele horário. Sempre fui pontual. Sempre cheguei antes aos lugares. Sempre fui daquelas que abria as portas do escritório e encerrava o expediente com um sorriso no rosto pela satisfação de ser a primeira e a última ao mesmo tempo. Só que eu estava fora da minha zona de conforto, estava uma hora atrasada do horário que eu gostava de chegar &#8211; só que estava prestes a passar 10 minutos com você. E tudo isso me trouxe um contentamento desigual, uma recompensa em um dia atípico, que tinha começado errado.</p>



<p>Fiquei pensando se eu deveria sentar perto, puxar conversa ou apenas me aproximar. Não havia tantas pessoas entre nós, mas eu não consegui: fiquei ali mergulhada naquele oceano que brilhava na minha frente. Eu tinha me perdido no seu olhar. Você estava conversando com alguém e, enquanto isso, eu só ficava pensando se eu já tinha visto olhos tão azuis quanto os seus.<br>Então, você sorriu. Eu olhei para o lado e voltei meus olhos para você. E novamente nossos olhares se cruzaram e se perderam.</p>



<p>Pensei em onde eu estava com a cabeça em tudo isso. Logo eu, tão tímida, admirando um estranho no trem. Só que não era um estranho. Era um desconhecido tão familiar quanto meu próprio retrato no espelho. Era um desconhecido que todas as células do meu corpo reconheceram. Era um desconhecido que fez meu coração pular na boca, que roubou a minha respiração e que me fez sonhar acordada com tanta profundidade que eu poderia ter escrito um livro inteiro sobre aquele momento.</p>



<p>Abaixei minha cabeça por um instante, tentando recobrar a minha consciência, que certamente tinha desaparecido. Forcei o ar aos pulmões e sem eu mandar, minha atenção se voltou novamente a você. E desta vez, era você quem me olhava. E o encantamento nem pode ser quebrado pela gravação que me avisava de que a minha estação destino seria a próxima. Ou eu ouvi ela falar que meu destino era você?</p>



<p>Sorri. Foi um sorriso daqueles de leve, tímidos, que trazem aos olhos todas as fantasias que conseguimos inventar e toda a felicidade que pode surgir se elas se tornarem reais. E você sorriu para mim. Retornou a gentileza de maneira tão dócil que encheu meu coração de alegria. Meu dia, minha semana, enfim, a minha vida tinha valido a pena por causa do movimento suave e abrupto de seus lábios. Os segundos mais demorados que já vivi.</p>



<p>Gostaria de ter te dado meu número, mas não o fiz. Levantei a mão, acenei um tchau retraído e vislumbrei mais uma vez seus olhos. A multidão entre nós até tentou esconder, mas você sussurrou &#8220;te vejo amanhã?&#8221; e aquele convite recebeu como resposta apenas um olhar que já revelava tudo que estava prestes a acontecer.</p>



<p>Desci do trem, parei, respirei fundo e observei a janela novamente. Mesmo pelo vidro, seus olhos tinham um brilho inesquecível, o qual fazia par perfeito com o sentimento que me afogava e deixava sem fôlego naquela estação. O mundo realmente parou e eu não conseguia me mexer, mas a minha paralisia temporária decidiu ceder espaço e consegui observar o trem seguindo seu caminho, com você nele.</p>



<p>Desde então, eu chego atrasada no trabalho muitos dias. Alguns dias, chego consideravelmente mais tarde. Em outros, saio na escuridão do dia que nem ainda é dia para ir ao encontro da estação &#8211; e de minha frustração.</p>



<p>Já percorri todos os vagões. Já fiz a travessia sentada observando todos os passageiros que aguardavam para entrar. Já me aninhei no mesmo banco em que te conheci para ver se conseguia alguma outra conexão. E nada aconteceu: você nunca mais apareceu no mesmo trem que eu. Você nunca mais apareceu.</p>



<p>É difícil imaginar que apenas 10 minutos, algumas olhadas e uma conexão instantânea podem fazer tanta diferença em quem somos e nos nossos sonhos. Acredite, eu sei, porque faz dois anos que seus olhos me perseguem à noite e me contagiam durante o dia, inundando meu mundo com a tristeza do acaso e com a alegria repentina de saber de que eles estão por aí, em algum lugar, como estrelas distantes que enfeitam o céu com luzes cintilantes e extremamente quentes. Eu sei que eles estão por aí.</p>



<p>Apesar de que eu nunca mais ter encontrado nada parecido, eu tento me convencer de que foi melhor assim. De que a perfeição do que nunca aconteceu (ou de tudo que aconteceu) jamais poderá ser superada. E de que assim, eu posso apenas lembrar daquele abismo que me sugou com a mesma intensidade e que eu posso fitar eternamente para aquele azul infinito, paralisante e que deu sentido ao que eu nem sabia que existia&nbsp;  &#8211; para isso, basta fechar os olhos, sonhar acordada e entrar no trem às 9h03. </p>
]]></content:encoded>
					
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">1563</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O que você deixou</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/o-que-voce-deixou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2020 18:57:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[A primeira sensação foi de vazio.&#160; Aquela incompletude de um amor tão grande e com]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A primeira sensação foi de vazio.&nbsp;</strong></p>



<p>Aquela incompletude de um amor tão grande e com grande potencial, que foi desperdiçado como um guardanapo nem utilizado que, apenas por estar à mesa, ganhou o mesmo destino de todos os outros dejetos sujos e inservíveis.</p>



<p><strong>Depois, veio a infelicidade.</strong></p>



<p>A rejeição do sentimento inseguro, que não encontra em si nada além da ironia de ser egocêntrico, fingindo um carinho que se confunde com vaidade.</p>



<p><strong>As lágrimas, então, apareceram.</strong></p>



<p>Isolada em meu quarto, vi-me isolada de um mundo irreal que construí em meus sonhos. Planos, passeios, viagens, almoços e horas de ócio ao seu lado. Uma vida inteira vivida em mentiras&nbsp;que passaram como um filme em minha mente.</p>



<p><strong>Os berros se apoderaram de meus pulmões.</strong></p>



<p>A dor apoderou-se de meu corpo e irradiou para cada extremidade. A água sufocou minha garganta e se transformou em sons que agarraram toda a casa. Borboletas negras voaram longe e deixaram sua sombra me abraçando.</p>



<p><strong>Foi quando o cansaço juntou-se à carne.</strong></p>



<p>Os olhos pesados de assumir a perda. Encharcados de fracasso, fitando um presente que não reconheço. Vergões que tentam enxergar uma saída mais rápida. A força que me falta é a vida que me fica.</p>



<p><strong>Então, cansado, meu corpo deitou-se&nbsp;em sua cama de lamentações.</strong></p>



<p>Encolhi-me para proteger-me da tremedeira que girou minha cabeça. Escolhi que seria apenas por um dia. Chorei como uma criança que se viu sozinha no mundo. Mas de toda a mágoa ressurge um coração mais preparado.</p>



<p><strong>E uma noite foi suficiente para levar embora as memórias de um amor ingrato.</strong></p>



<p>A renúncia do que não é necessário libertou uma alma. De olhos abertos, fitei exatamente o que precisava. Sua maneira voraz de destruir qualquer beleza passou a ser conhecida. Sem você, eu me liberto do que eu sinto mais medo.</p>



<p><strong>Tóxico como um veneno que finge ser perfume.</strong></p>



<p>Pensar na sua presença me revira o estômago. Atitudes mesquinhas que me tiram o sono. Não quero mais absurdos revestidos de mentiras. Suas ligações apenas repetem as mesmas palavras.</p>



<p><strong>E iludia uma menina que não te amava em segredo.</strong></p>



<p> O vazio que você deixou já foi completado pelo nada. Nada é o que você deixou, nada é o que você vai levar. Sua memória será esquecida nas linhas deste pequeno escrito para viver para sempre apenas nos meus cadernos. Só porque as minhas palavras realmente valem alguma coisa. </p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>O fim do mundo que já acabou</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/o-fim-do-mundo-que-ja-acabou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2020 14:58:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
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					<description><![CDATA[As notícias nada animadoras entraram convidativas em minha casa. A voz da jornalista, tão doce,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As notícias nada animadoras
entraram convidativas em minha casa. A voz da jornalista, tão doce, era um
contraste com o conteúdo tão insípido explicado em palavras silabadas. Pequenas
gotas de informação me dizendo que o caos tomaria conta do presente, um
paradoxo que confrontava a verdade da minha caminhada em direção ao incerto, e
ainda alimentada pelas esperanças fulas de um sonho de verão qualquer.</p>



<p>Quando falam que o mundo está
para acabar e você pensa que ele já se foi, como é a sensação? Eu realmente não
sabia como reagir às notícias de que haveria um mundo para se perder. De que
haveria algo para se lutar por. Ou que ainda haveria motivos para esperançar à
janela as imagens incompletas e borradas de um passado tão ousado a ser
presente. Era apenas o resumo de um pequeno absurdo se tornou palpável para
quem ainda vive a amargura da ausência não planejada.</p>



<p>A distância e o isolamento não
eram novidade. Isolar-se de si mesmo, reduzindo seus sentimentos em atos
desconexos com a realidade, era algo que eu sabia viver. Não ver, não
encontrar, não tocar, não almejar eram tão inerentes que não se poderia imaginar
uma realidade diferente disso. Apenas esperar, apenas passar, apenas observar e
saber que a liberdade é ameaçada por monstros que habitam minha sala já era
minha rotina. O desespero. A falta de ar. E a esperança desgastada eram quadros
pendurados em meus aposentos, que refletiam em meus olhos histórias que já não
sei mais contar.</p>



<p>A solidão passou a ser
compartilhada. As ruas vaziam se tornaram o espelho do meu coração e de tudo
que vivi desde a última vez em que eu o senti batendo. O silêncio, apenas uma
leve dança de sussurros de memórias fragmentadas, desapegadas da essência da
vida. Ah, e a vida&#8230; Essa pequena estrada tão esburacada, cheia de curvas sinuosas
e atalhos perigosos&#8230; Que acabou simplesmente me levando a um lugar abandonado
e sem ter como retornar.</p>



<p>O desespero compartilhado das
pessoas contrastava com a minha serenidade explicada. A euforia de perder algo
tão belo e observar, apenas como passageiro, cada nascer e pôr do sol. A prisão
forçada no momento, a impossibilidade de desbravar caminhos desconhecidos. A
certeza da incerteza e um calendário infinito de minutos preenchidos por
imagens iluminadas e repetidas. </p>



<p>Mas para mim, era apenas outro
dia. Outro dia dentre tantos outros já perdidos, já desperdiçados no meio de
tanta dor. Apenas outro corte em um corpo tão dolorido e maltratado. Apenas outro
fim do mundo que já acabou.</p>



<p>E a inveja, então, tomou conta de
mim. A inveja daqueles jovens tão cheios de vida, que gostariam de sair à rua
para simplesmente viver. A inveja daqueles idosos, que diante toda a situação, banhavam-se
de alegria. A inveja daqueles que compartilhavam sonhos e planos futuros. A
inveja daqueles que não se entregaram.</p>



<p>E então, no caos, eu encontrei uma
quietude. Encontrei a paz que me faltava. A falta que me completava. O completo
que me abismava. O abismo em que eu me entregava. A entrega que apenas me
lembrava. E a lembrança de que viver é esse misto de sentimentos, em uma
contínua decepção de dores e valores. A lembrança de que abraços podem ser
aconchegantes e apertados. E a lembrança de que certos amores merecem ser
memórias – e de que certos deles merecem ser presentes. Presentes o suficiente
para continuarmos. Presentes o suficiente para reanimar um coração latente. E
presentes o suficiente para viverem eternamente.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Pequena grande distância</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/pequena-grande-distancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jan 2020 17:04:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
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					<description><![CDATA[Era possível contar a distância entre nós, mesmo com a multidão que me escondia e]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era possível contar a
distância entre nós, mesmo com a multidão que me escondia e me revelava você.
Sem querer, estávamos lado a lado, mas ao mesmo tempo, tão distantes quanto
estrelas que viajam no espaço e se separam por anos-luz.</p>



<p>As vozes berravam a música que não parava de tocar. Só que tudo isso era silêncio para as batidas incessantes do meu coração, que acelerado, criou uma sinfonia desafinada de sentimentos misturados. Medo. Angústia. Saudades. E a certeza de que o fim é apenas o início de nada.</p>



<p>Eu não sabia como esconder
o misto de ansiedade e de melancolia. O olhar deveria prestar atenção em tudo
que não fosse você; entretanto, a fixação levava às piores reações, e relembrar
o toque de sua pele era infringir às leis que me fizeram superar a ruptura
entre o perfeito e o insuficiente. Tentei de todas as formas me conectar a tudo
que estava em minha volta, mas o infinito em que residia você me chamava
frequentemente, como um buraco negro que consome estrelas pelo Universo.</p>



<p>E meu olhar te encontrou
novamente. A camisa xadrez que combinava com seus olhos; o sorriso estampado no
rosto de quem está ouvindo sua banda predileta; a barba que, como sempre,
crescia desordenadamente organizada, promovendo um pequeno caos em minhas
lembranças.</p>



<p>Fechei os olhos e deixei a
música tomar conta de mim. Tentei me entregar ao momento e esquecer você,
julgando que eu era forte o suficiente. Minha razão mandava, mas meus olhos
obedeceram ao coração e, então, eu vi. As mãos na cintura, os beijos no pescoço,
e o seu olhar em minha direção. E por um segundo, estivemos no mesmo lugar,
revivendo as mesmas lembranças, como se o tempo e o espaço fossem mutáveis a
ponto de escolhermos nossa própria história.</p>



<p>Então, o segundo acabou. Você abraçou fortemente ela e isso foi como um soco no estômago, que me roubou o ar e chamou as lágrimas, que percorreram meu rosto sem permissão. Era como se meu coração tivesse sido arrancado do meu peito e, por mais que eu quisesse berrar, a dor do silêncio se misturou com o solo da guitarra e o refrão da sua música predileta.</p>



<p>A sinfonia me trouxe à
vida: deixei o som me embalar e cada nota direcionar minha alma para um local
diferente. Ali, éramos apenas eu e as melodias fazendo uma nova história. Uma
história simples, mas verdadeira – e sem você.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Eu escrevi poesias</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/eu-escrevi-poesias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Dec 2019 02:14:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu escrevi poesias para você. Inspirei-me em meus sentimentos e os tornei em versos tão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu escrevi
poesias para você. Inspirei-me em meus sentimentos e os tornei em versos tão
ritmados quanto sua beleza. As linhas singelas declaravam cada vez que pensei
em seus braços me envolvendo. A simplicidade de um amor que poderia ter sido
perfeito.</p>



<p>Cada linha
relembrava um de seus sorrisos sinceros e gargalhadas que ecoavam em meus
ouvidos. A sincronicidade de uma vida inteira, fomentada por seus beijos
apaixonados. Tantos sonhos recordados em frases inteiras. Tantos desejos
eternizados no aconchego das saudades planejadas.</p>



<p>Meus versos
percorreram cada centímetro de seu corpo e foram insuficientes para detalhar a
complexidade de sua alma. A forma como seu espírito encantava a minha presença,
sussurrando palavras doces durante a madrugada.</p>



<p>De ti, eu criei rimas acentuadas, com caldas de caramelo e cobertura de morangos. Tornei-te eterno em frases tão bem planejadas, que dançam aos ouvidos de quem ama. Gritei ao mundo inteiro como sua presença me completava, ostentando felicidade ao adentrar a casa. Toda a simplicidade do que seria um amor exato.</p>



<p>As doces palavras espelhavam a minha alma, que desnuda de maldade, virou avessa aos sentimentos traiçoeiros. Busquei em ti o equilíbrio para o futuro, assumindo que arte seria encaixar minha cabeça em seu colo. Toda a vida direcionada para sonhos realizados nos abraços costumeiros da madrugada. Os pequenos desejos almejados em gestos concretos.</p>



<p>As letras se juntavam de maneira desigual, criando sentido para o absurdo. Momentos de epifania alimentados pela realidade, na luta eterna de equilibrar o que não faz sentido. Mas naquele momento, meus sentimentos criaram sentenças tão planejadas que o amor percorria cada linha. A leveza de uma caligrafia que misturava sonhos realizados e carícias afetuosas.</p>



<p>Toda a paixão retratada em sonetos ritmados, embalados por histórias inventadas na verdade ilusória. E então, a insuficiência criativa me roubou o sono, deixando apenas a frustração pelas obras não contempladas. </p>



<p>Tanto amor desperdiçado em papéis nunca lidos; tantos sentimentos eternizados para jamais serem vividos. Poesias malvestidas que se tornaram manchas para a sociedade enquanto tudo que elas queriam eram debutar para retratar não devaneios, mas histórias tão palpáveis quanto o ar que se respira – mas não se vê.  </p>
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		<title>Multidão e solidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Sep 2019 02:07:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[No meio das multidões, onde pessoas se encontram e se identificam, é onde eu me]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No meio das multidões, onde pessoas se encontram e se
identificam, é onde eu me sinto mais sozinha.</p>



<p>Como se eu não estive ali. Como se a minha presença
não fosse desejada. E assim, eu me sinto completamente só.</p>



<p>As pessoas atravessam meu corpo. Ignoram minha alma.
Não querem confraternizar com meu sorriso, que escasso e abandonado, cansa-se
de brilhar sem retorno, dando espaço para este sentimento tão apertado.</p>



<p>A vontade de ir embora é grande, mas eu fico. Eu fico
com o resto pisoteado, com a vaidade destruída, com a esperança falha.</p>



<p>Com a inocência serena de quem imagina que o futuro
reserva novidades. Com a certeza de que elas se mostrarão insuficientes.</p>



<p>E o vazio me persegue. Ele me encontra nos lugares
cheios. Abraça-me e me acompanha, engolindo meus olhos cansados.</p>



<p>Consome esta alma inquieta, que devora o orgulho e
permanece para ser pisoteada. Sozinha no meio de todos. Sozinha enquanto
observa a beleza da vida alheia. </p>



<p>Quisera eu que a solidão fosse uma escolha, e não uma
consequência. Difícil pensar que não seria.</p>



<p>A resposta dos inaptos é imergir na amargura da
inexistência. Quase uma presença, mas tão falha quanto a ausência absoluta. Não
há aconchego; há apenas desespero.</p>



<p>Seria a resposta calar-se por inteiro? Quando estar é necessário, a alma se esconde em lugares inabitados. O corpo fica e enfrenta olhares contra o vento. Fingir é esperado mesmo quando você nunca é convidado.</p>



<p>As velhas amarras sociais que lhe roubam a serenidade. Tentar novamente ser amado para sentir o gosto amargo do rejeito. O abraço renegado. O sorriso não retribuído. A presença indesejada. A solidão que me persegue.</p>



<p>Enquanto há pessoas, a paz não existe. Apenas a luta constante e o sentimento que não vai embora. Olhares tristes se escondem nos sorrisos que se empenham e se cansam. E se misturam com as lágrimas no banheiro, as quais ninguém nunca vê.</p>




]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>As palavras do momento</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/as-palavras-do-momento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Aug 2019 01:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
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					<description><![CDATA[Há momentos em que as palavras são insuficientes para expressar a dor da ausência. A]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há momentos em que as palavras são insuficientes para expressar a dor da ausência. A dor da lembrança. E a dor de saber que, algo que era, não é mais.</p>
<p>Há momentos em que as palavras não fazem mais sentido. A poesia não se escreve. O sentimento se torna tão confuso que não produz mágica nem o amargo: ele apenas existe, coexiste com o passado e se entedia com o futuro.</p>
<p>Há momentos em que eu preciso escrever, mas meu cérebro não funciona. Não sai arte, não sai nada: apenas letras sobre letras brigando para figurarem no branco da tela, tornando negros os espaços para preencher um vazio impreenchível.</p>
<p>Há momentos em que eu queria apenas respirar. Queria conquistar as palavras novamente, transformá-las em música para seus ouvidos, e fechar os olhos e senti-las tomando conta de meu corpo como o sangue que corre pelas minhas veias. Como eu gostaria que as narrativas fossem suficientes para transformar todos esses pensamentos que não se conectam, que estão desamparados na correria do dia a dia e na falta que eu sinto do que eu nunca vivi.</p>
<p>Há momentos em que eu clamo pela escrita, mas ela não vem. Ela se ofende com as minhas intenções, esconde-se no meio dos meus talentos e transita pela melodia enfadonha dos versos sem rima. Ela me mira. Se admira. E, em meus ouvidos, suspira.</p>
<p>Há momentos em que eu quero apenas escrever. Apenas registrar minha pobre vida no papel, escorrendo as lágrimas em vogais mal-acabadas. Quero viver os sonhos em contos tão bem planejados, com finais felizes que escapam à realidade e à razão. Quero somente me esconder de minha própria história, provar o amargo vinho da irrealidade e mergulhar no íntimo do meu ser. Um ser que escreve. Um ser que usa palavras para viver – e para desaparecer.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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