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	<title>O passado reside em nós &#8211; Sinceramente, eu</title>
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	<description>Um blog sobre tudo e nada</description>
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	<title>O passado reside em nós &#8211; Sinceramente, eu</title>
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	<item>
		<title>As cartas que eu nunca enviei – I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2020 02:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[Querido W: Não sei como tudo acabou assim. Em um pequeno instante, o mundo se]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Querido W:</strong></p>



<p>Não
sei como tudo acabou assim. Em um pequeno instante, o mundo se afogou em mágoas
e cada momento que vivemos foi transformado em pó. Ao menos, foi essa a
sensação que eu tive quando te encontrei e você nem se deu o trabalho de me
cumprimentar. Seu olhar atravessou meu corpo com tanta insignificância que
pensei que, se eu fosse uma estranha, você teria prestado mais atenção às lágrimas
que berravam ao mundo a dor que eu mal suportava carregar.</p>



<p>A
dor, tão aguda quanto salgada, corroeu meus pensamentos de maneira cíclica.
Nesse carrossel de sentimentos não havia diversão: apenas a vontade de vomitar
todas as mentiras que você me vendeu. O quanto eu era única. O amor infinito
que você tinha por mim. E as promessas tão grandes que eu acreditei tão
cegamente. Para mim, eu já tinha conquistado o mundo: eu já tinha você. Para
você, o mundo era todo o resto, tudo onde não havia mais eu.</p>



<p>Não
sei quando eu percebi que você simplesmente esqueceu. Ou fingia esquecer.
Durante um bom tempo eu sentia seus pensamentos como fantasmas que me seguiam.
Você não me queria mais, mas não me deixava ir. O orgulho de se sentir
desejado. A luxúria de um passado que você desejava, mas que não tinha coragem
de assumir. As saídas tão fáceis criadas em sua mente, com os vilões que você
desenhou na sua própria sombra. </p>



<p>Você
devastou o jardim da minha casa e ainda disse que a destruição tinha sido
minha. Deixou-me sozinha com a falsa esperança de futuro. Foi para longe e
ainda encontrou uma forma de assombrar meus dias. Talvez fosse vingança. Hoje,
penso que era apenas egoísmo.</p>



<p>Consigo
ver como toda sua foi história previsível: as saídas nos mesmos locais. As
mesmas canções. E as tão conhecidas desculpas pequenas para se aumentar e reduzir
os demais. E ainda vivendo os nossos sonhos como se fossem apenas seus.
Querendo ainda destruir o meu futuro com mentiras tão assustadoras que me pego
pensando se você realmente acreditava que eu te amaria para sempre. Porque eu,
durante algum tempo, na ignorância da juventude, acreditei.</p>



<p>Há situações que eu vou levar para sempre comigo. Não com mágoa. Não com carinho. Apenas com tristeza de saber que aquela pessoa que eu tanto amei nunca mais existiu. E apenas com a felicidade de saber que suas escolhas foram as melhores possíveis para mim.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Gin Blossoms e o que restou</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/gin-blossoms-e-o-que-restou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 18:18:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[cronica]]></category>
		<category><![CDATA[gin blossoms]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[Normalmente, eu não lembro de você. Se tem uma pessoa que conquistou seu pedaço no]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Normalmente, eu não lembro de você. Se tem uma pessoa que conquistou seu pedaço no passado, na lista de momentos que antigos e quase nunca recuperados de nossa mente, bem, essa pessoa foi você. Hoje, consigo visualizar todos os nossos defeitos e tudo que nunca deveria ter acontecido. E, se quando eu era jovem e inocente, toda a situação que vivemos quebrou meu coração em milhares de pedaços, atualmente, ela não tem mais poderes sobre mim.</p>
<p>Acredito que foi a minha primeira grande decepção amorosa. Mas olhando para aqueles dias, quando eu me enchi de remédios e cortes para disfarçar minhas outras dores, vejo que foi a minha primeira grande decepção como pessoa. Eu me decepciono comigo ao ver até qual ponto consegui fechar os olhos e ignorar o que estava na minha frente. E o pior é ver que repeti isso diversas vezes na minha vida: sempre acreditando que daria certo, sempre acreditando no lado bom das pessoas, sempre acreditando que eu seria suficiente. Sempre colocando expectativas em causas perdidas, vivendo mentiras de filmes e romances de músicas.</p>
<p>Dessa época de minha vida, restaram poucas coisas. Se durante algum tempo eu carregava maus sentimentos, posso afirmar que eles se dissiparam com o tempo. E agradeço quando você me pediu desculpas, mesmo que as cicatrizes ainda façam parte de meu corpo. Mas sabe quando elas acabam fazendo parte de quem você é? Essas marcas, que vermelhas ficaram brancas e quase nem aparecem mais, são lembranças contínuas de que viver vale a pena, mesmo que, em vários momentos, eu tenha minhas dúvidas sobre o que seria realmente viver.</p>
<p>As memórias dificilmente retornam. E quando elas vêm, é somente quando ouço Gin Blossoms. Confesso que essa foi uma das melhores coisas que sobrou. E de tudo que você tinha, o melhor era seu gosto musical. Ainda me lembro daquele mix que você me entregou e de que como eu me senti especial. E as músicas acabaram ganhando seus espaços, e assim como você, também fazem parte da minha história. Das coisas boas e ruins que vivemos. E daqueles sentimentos tão antigos, que me sufocaram por um breve tempo. E a ironia? Mesmo quando eles já tinham se desvanecido há muito das lembranças, eles passaram a me assombrar: não por mim, mas por outra pessoa, que reviveu os mortos e atirou seus corpos no meu rosto. A podridão me infestou e durante anos eu me culpei, mesmo que eu não tivesse nem mexido minhas minhas mãos para desenterrar o que já estava entregue à terra.</p>
<p>Tudo isso já passou, e os sentimentos são neutros. Até eu me impressiono de como essa situação foi realmente resolvida. Eu não tenho raiva. Não tenho saudades. Não sinto absolutamente nada. Aquela dor se foi há muito tempo. Outros rapazes vieram com suas lindas mentiras e, acredite: eu caí na maioria delas. Uma jovem que persistia naquele doce sonho de ser amada, como se isso fosse tudo que eu poderia conquistar nesta vida. Como se o amor fosse a única forma de continuar caminhando. E ao mesmo tempo, a única maldição para fazer eu sentir que não havia lugar para mim neste mundo.</p>
<p>Outras histórias foram vividas. Outras músicas ganharam sentido. Outras lembranças conquistaram espaço. E outros amores persistiram o que não aconteceu em nossa jornada. Outros dias vieram, com suas risadas e lágrimas. O misto de decepção e de alegrias que permeiam nossa estrada. O misto de algo que não conseguimos explicar, somente viver. O misto de ser, relembrar e ser novamente. E a certeza de que os sentimentos devem ficar no passado para que possamos apenas sobreviver ao hoje.</p>



]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>A verdade sobre as lágrimas</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/a-verdade-sobre-as-lagrimas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Mar 2019 23:58:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
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					<description><![CDATA[Elas vieram e não foram convidadas. Rolaram pela face, assumiram comando dos sentimentos e invadiram]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Elas vieram e não foram convidadas. Rolaram pela face, assumiram comando dos sentimentos e invadiram as memórias dos momentos mais belos. O vazio do molhado, a certeza da incerteza, a fragilidade de tudo que se viveu.</p>



<p>Intrusas. Invasivas. Constantes. Se elas poderiam aparecer pela felicidade extrema, elas decidiram resgatar a insuficiência. Roubaram a paz e levaram a juventude. Deixaram apenas a ausência que devasta a alma, explosão do entusiasmo, o pesar desenfreado. Os passos sem direção.</p>



<p>A dor estampada no rosto. As mazelas que confundem o futuro, que ingressam na respiração espaçada, misturando-se com os brados que perturbam qualquer ação. É o fim, somente o fim. E as lágrimas alimentam-se desse final. Sugam os pensamentos e deixam apenas a verdade: não há mais volta.</p>



<p>Os dias se repetem. A abundância líquida afoga a garganta, infiltrando cápsulas exageradas de tristeza. Os olhos se cerram, mas elas não cessam. Elas continuam conquistando todo o quarto, manchando o colchão, borrando o travesseiro e devastando aquele coração.</p>



<p>Fiéis escudeiras do passado. Fiéis detentoras dos dias cinzentos e chuvosos. As póstumas sombras geladas e escorradias que sempre tornarão vivas as lembranças do pior dia de nossas vidas. Revivido, dia após dia, ano após ano. Até o momento em que meu corpo também se entregará ao não ser, juntando-se ao seu ser.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>O corpo no chão</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/o-corpo-no-chao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Oct 2018 21:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
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					<description><![CDATA[O corpo se mexe, o ar entra e sai Barulho que engana o descaso que]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>O corpo se mexe, o ar entra e sai</div>
<div>Barulho que engana o descaso que ficou</div>
<div>Encostado no chão absorve a falta de calor</div>
<div>Enquanto a alma se enrosca esperando algum salvador</div>
<div></div>
<div></div>
<div>As ligações e os passos pesados na escada não previram o que aconteceu</div>
<div>Inúmeras tentativas em vão deixaram marcas que enganaram a realidade</div>
<div>Era março e o corpo estava jogado no chão</div>
<div>Arrastado foi para não passar frio</div>
<div></div>
<div></div>
<div>Inerte, cansado, sofrido, ele relutava com o ar</div>
<div>E foi quando, de dentro, o sangue decidiu jorrar</div>
<div>A simetria perfeita se desconfigurou e os calmantes não deixaram avisar</div>
<div>E cada parte se vestiu de silêncio enquanto expelia os últimos sons</div>
<div>Enganando aquele que subia as escadas após cada ligação</div>
<div></div>
<div></div>
<div>Então, quando a vida se foi, o frio tomou conta do ser</div>
<div>Que tocado causou comoção</div>
<div>A alma berrava porque ela não conseguia ver</div>
<div>Aqueles que abraçavam o corpo querendo também morrer</div>
<div></div>
<div></div>
<div>Do chão, o corpo foi para o caixão</div>
<div>Ganhou flores, maquiagem e roupas</div>
<div>Ganhou visitas, lágrimas e lembranças</div>
<div>Ganhou uma gaveta, velas e cartas</div>
<div>Ganhou mas também levou</div>
<div>Levou esperança, juventude e sossego</div>
<div>Levou memórias, futuro e tranquilidade</div>
<div>Levou mas também deixou</div>
<div>Deixou amor. Deixou saudades.</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Adeus, amor</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/adeus-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Aug 2018 16:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[A face pálida e as mãos gélidas Pousadas em teus cabelos borboletas e larvas Em]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A face pálida e as mãos gélidas<br />
Pousadas em teus cabelos borboletas e larvas<br />
Em teus lábios o azul aparece<br />
Apesar do rosa do batom</p>
<p>Os teus olhos cerrados e as tuas pernas imóveis<br />
Palavras e respirações pairam sobre o teu caixão<br />
Lágrimas apodrecem a madeira<br />
Que te levará para longe de mim<br />
Jasmins como você gostava<br />
Perfumam o ambiente</p>
<p>Teus últimos minutos sofridos<br />
Escondidos pelas vestes brancas<br />
pelos véus rosas que circundam teus punhos<br />
As promessas que jamais esperava que cumpririas<br />
Acabaram sendo o teu fim</p>
<p>Teu fim, sem meio feliz, nem começo<br />
Sofreste mesmo sorrindo,<br />
foste forte, mais do que eu<br />
Abandonaste as mentiras sinceras<br />
Escolheste ser inatingível<br />
escolheste ser fria e a aceitar tudo que viesse<br />
Escolheste ir&#8230;</p>
<p>E agora, que nossas últimas palavras foram dolorosas<br />
Meu orgulho me mata aos poucos<br />
Eu te perdi eternamente,<br />
jamais te terei novamente&#8230;<br />
E agora, vejo meus erros<br />
Fui fraco, quis te deixar<br />
Mas sem você sou mais vulnerável&#8230;<br />
Ah, tu sabias que eu iria chorar!<br />
Tu sabias que eu iria sofrer!<br />
Só não sabias que para sempre eu iria te amar&#8230;<br />
Como te queria de volta, mas já é tarde<br />
Queria teu sorriso, que voltará nunca à tua face<br />
Queria a tua voz suave<br />
Queria poder te amar novamente,<br />
queria mais uma chance,<br />
e desta vez não iria errar&#8230;</p>
<p><em>* Escrito em 11 de abril de 2003</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Essência de mim</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/essencia-de-mim/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jul 2018 11:02:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[Entre tantas histórias de amor De loucuras, de paixão Sinto-me uma ave sem asas Sinto-me]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre tantas histórias de amor</p>
<p>De loucuras, de paixão</p>
<p>Sinto-me uma ave sem asas</p>
<p>Sinto-me uma alma sem coração</p>
<p>As lembranças que carrego</p>
<p>São delírios de meus sonhos</p>
<p>Figuras que inventei</p>
<p>com a minha amiga Solidão</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O passado era um gesto</p>
<p>Algo para a convenção</p>
<p>Meus medos, carrego comigo</p>
<p>Junto com a imperfeição</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda sinto o sol em minha face</p>
<p>Ainda sinto o vento ao meu redor</p>
<p>E eu que acreditava</p>
<p>Que nada poderia ser melhor&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas surgiu dentro de mim</p>
<p>Uma nova pessoa, irreal</p>
<p>Ela é a minha idealização</p>
<p>E eu não deveria sobreviver</p>
<p>Ah, em meus sonhos!</p>
<p>Nada temo,  tudo amo</p>
<p>Ainda escrevo, ainda ganho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ontem, Solidão e eu nos abraçamos</p>
<p>À luz do luar</p>
<p>Esperando que exista outra vida,</p>
<p>imaginando outro lugar&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu estou indo para as estrelas,</p>
<p>perder-me no infinito céu</p>
<p>Bailar em suspiros</p>
<p>e na realidade cruel</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Realidade, realidade</p>
<p>Cadê tua essência em meu ser?</p>
<p>Nada além da maldade</p>
<p>e do ódio aqui estão</p>
<p>Cadê a vontade de viver?</p>
<p>Foi-se embora junto com a lealdade</p>
<p>de uma triste estrla</p>
<p>que nunca brilhou</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Escrito originalmente em 12 de abril de 2001.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Sinto que estou te perdendo</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/sinto-que-estou-te-perdendo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jun 2018 02:04:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Sinceramente eu]]></category>
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					<description><![CDATA[Sinto que estou te perdendo. E sinto saudades de nossos dias. Você lembra quando ficávamos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sinto que estou te perdendo. E sinto saudades de nossos dias. Você lembra quando ficávamos conversando até de madrugada, eu sentada implicando com o teu cigarro, e você apenas querendo dormir, fingindo que entendia, resmungando algumas palavras vazias apenas para que eu achar que era importante? Algumas vezes, você real<span class="text_exposed_show">mente prestava atenção, pedia os teus óculos e o cinzeiro, e nessas horas, eu sabia que a conversa iria longe. E ficávamos ali, como se o resto do mundo não importasse. Apenas as nossas palavras, apenas esses momentos.</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Você lembra quando me ensinou a dirigir? Eu apenas observava, e você mantinha toda a calma do mundo. Você confiava em mim. Você mandava eu seguir e me falava que eu dirigia que nem homem. Eu ficava orgulhosa, embora soubesse que essa pequena mentira era apenas para me incentivar, não me fazer desistir. Apenas mais uma das mentiras que você me contou, assim quando falava que eu era bela, inteligente e todas essas lindas mentiras que conseguem encher o rosto de qualquer menina de alegria. Só que eu não era qualquer menina, eu era a tua menina.</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Lembro de todas as coisas que você sempre me ensinou, ou tentava me ensinar. Quando dividíamos o sofá e brigávamos pelo canal, ou quando eu reclamava por você se perder na frente do computador, ou ainda, quando mesmo bravo, ia me socorrer, me buscar, passar a mão na minha cabeça após alguns gritos. </span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Você sempre falava que eu era a mulher ideal para você, e eu sentia o mesmo. Só que sempre fomos diferentes, bem diferentes. Qualquer um sempre achava engraçada essa nossa suposição, até porque sempre fomos diferentes, bem diferentes. Você me irritava, eu te irritava mais ainda, e acabamos descobrindo mais coisas sobre o amor do que qualquer livro poderia nos dizer. Você não ama uma pessoa pelas qualidades; você a ama pelo apunhado de coisas que ela tem, pela forma como ela faz você se sentir&#8230; Talvez, apenas, o amor seja inexplicável, embora você nem sempre entenda quando eu te falo isso.</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
E agora, você não está mais aqui. Você pode dizer que está, mas não está. Você me deixou sozinha, e isso me faz triste, angustiada e raivosa. Sim, raivosa. A vida deveria ser mais fácil do que é, mais prazerosa e mais feliz. Mas ela não é, ela é egoísta, malvada e sarcástica. E logo você, que falou que jamais me deixaria, está indo embora. E eu não posso pedir para você ficar, eu deveria me acostumar com a ideia, que segue apenas a “lei natural”. Só que ninguém nunca me falou que seria tão dolorido, tão triste e tão vazio.</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Agora, onde vamos? Não sei. Tenho medo de que nos tornemos meros estranhos nesse mundo tão frio. Eu estou sentindo muito frio, fora o buraco que foi aberto no meu coração. Gostaria tanto que você não desistisse de mim, como você falou uma vez. Apenas que você ficasse ao meu lado, porque tudo está tão escuro&#8230; Mas você não pode me garantir isso, pode?</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Vou sentir saudades de você. Eu já sinto, mas não acho que você sinta o mesmo. Você está vivendo a tua nova vida, uma nova casa, uma nova mulher. E eu continuo sentindo a tua falta, sentindo falta de antes, quando eu era uma das pessoas mais importantes da tua vida. Agora, diga, ainda sou? Se sou, até quando? E você, desistiu de mim? Porque eu nunca vou desistir de você&#8230; Só me faça uma promessa: se eu não conseguir, você será feliz por mim? Promete que vai fazer a tua vida valer por duas? Porque estes dias, eu já não tenho certeza de nada&#8230;</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"><br />
Sinto que estou te perdendo. E sinto saudades de nossos dias. E sinto tua falta, meu irmão&#8230;</span></p>
<ul>
<li><em>Escrito em 2005 para o meu irmão, que amanhã, faz aniversário. Publicação oportuna! = )</em></li>
</ul>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Soneto sem Destino</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/soneto-sem-destino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jun 2018 02:05:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
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					<description><![CDATA[Ah, se eu pudesse lembrar De tudo que me ocorreu Se eu pudesse explicar E]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, se eu pudesse lembrar</p>
<p>De tudo que me ocorreu</p>
<p>Se eu pudesse explicar</p>
<p>E encontrar tudo que se perdeu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se eu escrevesse</p>
<p>E as linhas fossem totalmente transparentes</p>
<p>Se as loucuras que eu invento</p>
<p>Fossem além da minha mente</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se a vida fosse como rio</p>
<p>Corresse sem destino</p>
<p>Como um animal no cio</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se a felicidade existisse</p>
<p>Além do imaginário</p>
<p>Como alguém me disse</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Escrito em 21 de março de 1997</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>A memória eletrônica e um futuro sem passado</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/a-memoria-eletronica-e-um-futuro-sem-passado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Apr 2018 14:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[little writings]]></category>
		<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
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					<description><![CDATA[Não faz muito tempo que as memórias físicas eram guardadas com cuidado, sendo tratadas como]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não faz muito tempo que as memórias físicas eram guardadas com cuidado, sendo tratadas como troféus e trilhas de uma vida. Fotos, bilhetes, cadernos de confidências, cartas e até diários eram armazenados em locais seguros, protegidos por paredes de caixas, que ajudavam a deixar intacto tudo que a mente poderia utilizar para evocar sentimentos e as mais sinceras lembranças. Algumas vezes, esses objetos assumiam posições de destaque nas residências, suprindo ausências que as religiões tentam explicar, mas que continuam a destroçar corações e proporcionar futuros incertos sem a presença da existência daquela pessoa.</p>
<p>Com o ciclo natural da vida, esse material era entregue à próxima geração, que se apropriava das letras e imagens, visualizando um novo significado para cada um daqueles objetos. Nesse momento, a imaginação imperava, possibilitando a reconstrução dos sonhos, experiências e amores de seus antecessores. A falta se misturava a uma realidade construída, jamais imaginada se não houvesse apoio dos documentos que retratavam os antepassados.</p>
<p>Então, chegou a tecnologia. Com ela, também vieram novas possibilidades, novos amores e novos mundos. Apenas um conjunto de códigos que conectou o planeta, levando informações pela nuvem em um processo que até parece abstrato. As cartas, que poderiam demorar semanas para chegar, foram substituídas pelos e-mails, correspondências eletrônicas que fizeram o carteiro perder sua poesia. A rima se tornou a facilidade, a quase instantaneidade, ampliando contatos e extinguindo distâncias.</p>
<p>As novas histórias passaram a ser contadas por esse meio. As letras, que eram uma assinatura fiel do emitente, passaram a ter os mesmos traços, limitados às configurações disponíveis dos servidores. Mas o e-mail ainda tinha sua própria música, proporcionando devaneios profundos sobre os mais sinceros sentimentos. Essa composição única, entretanto, ficava limitada àqueles que eram os detentores do conteúdo, também gerando espaço para palavras chulas e ideias sem entusiasmo.</p>
<p>O sucesso do e-mail era evidente, até que os mensageiros instantâneos chegaram – e com eles, a superficialidade e o imediatismo. Se as composições antes eram idealizadas para materializar os segredos e anseios, agora elas foram substituídas por noções vagas e muitas vezes impensadas ou impulsivas. O histórico se perdeu nas trocas de celulares, e aquele primeiro “eu te amo” foi esquecido entre mensagens cotidianas e sem grande valor.</p>
<p>As fotografias ganharam novas dimensões. Se antes eram obras de arte, hoje se assemelham à maioria das produções textuais dos jornais: visualizadas por segundos, destroçam-se e não conseguem se destacar entre tantas imagens, limitando-se a uma existência vazia e curta. Sua forma imaterial permanece confinada aos aparelhos seguros por senha ou em plataformas gratuitas, sendo que sua perenidade se esmaece junto com os últimos suspiros de vida, renegando às gerações futuras os registros de uma existência.</p>
<p>O passado está confinado no hoje e tem seu futuro no mundo digital renegado, isso se não houver uma preocupação verdadeira com a forma que queremos ser lembrados. É necessário fazer com que o ritmo harmonioso e caótico de uma vida não se torne o que todos temos medo de ser: esquecíveis. As lembranças merecem permanecer nesta terra, proporcionando que a história exerça sua função. Ideias, imagens, pensamentos e sentimentos devem ser organizados, para que assim as gerações futuras possam fazer o que um dia nós já fizemos: admirar e imaginar o que não existe pelas evidências que indicam que um dia foi real.</p>
<p><em><strong>Divulgada originalmente em 4 de julho de 2017.</strong></em></p>
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		<title>Augusto</title>
		<link>https://sinceramente-eu.lusalvaro.com.br/augusto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lusalvaro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Mar 2018 22:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O passado reside em nós]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[Venera tua face ante ao espelho: O sorriso falso, os pecados contidos As falsas promessas,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Venera tua face ante ao espelho:</p>
<p>O sorriso falso, os pecados contidos</p>
<p>As falsas promessas, os olhos vermelhos</p>
<p>A imagem construída, as raízes brancas</p>
<p>As unhas falsas, olhos mentirosos</p>
<p>Frígida inocência</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Venera tua face ante ao espelho:</p>
<p>a alma pecadora, remorso nenhum</p>
<p>Medo do medo</p>
<p>Solidão itinerante</p>
<p>O vazio está em teu peito</p>
<p>E a dor é insuportável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Chora, chora criatura&#8230;</p>
<p>Ninguém ouve teus gritos</p>
<p>Ninguém lembra de ti</p>
<p>Entre tantos infinitos,</p>
<p>jamais tu existiu</p>
<p>Estás sozinha na morte,</p>
<p>Na morte que é esta vida</p>
<p>Vida sarrida, vida solitária</p>
<p>Vida imperfeita, vida infeliz.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Venera tua face ante ao espelho:</p>
<p>encara teus medos,</p>
<p>desista como já fizeste</p>
<p>Entrega teu corpo aos vermes</p>
<p>Silencia tua boca esperançosa</p>
<p>Deixa a morte,</p>
<p>vá para o caixão.</p>
<p><em><strong>Poesia escrita em 07 de novembro de 2000.</strong></em></p>
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