Sem palavras. Sem poesia. Sem nada.

As palavras me fogem à mente. Sem versos ou rimas, elas se amontoam para formar o nada. Apenas o vazio repleto de letras sem significado, sem propósito, sem luz. Sem cor ou textura. Desisto? Não, insisto.
Insisto em deixar as letras formarem palavras. Sentenças curtas. Ou longas. União de emoções transformadas em pequenas gotas de pensamentos esvaziados. Um retrato da inquietação que aflige a alma, que está tão cansada de simplesmente pensar sobre o futuro incerto e o presente estarrecedor.
Os sentimentos vêm no ritmo da música. Soberbos. Altos. Incessantes e sufocantes. Tímidos, roubam a capacidade de criar poesia. De simplesmente criar. Limitam o infinito em a doses homeopáticas de desalento. Pequenos fragmentos que não ilustram metade da explosão que tira o sono e arrepende o passado.
O sentir me calou. Levou as palavras para si. Amanhã, vou roubá-las novamente para mim.










