Sentimentos e palavras (e sua falta)

Há momentos em que apenas as palavras podem tentar explicar os sentimentos.
E há momentos em que nem elas são suficientes para cobrir o vazio do inimaginável.
Então, alguns versos soltos contextualizam o presente e o passado. Traçam narrativas que mesclam a verdade e a mentira. Esmiúçam o medo e a paz.
Apenas palavras para tentar explicar o que é inexplicável. Explicar o que ninguém entende. E que eu também não compreendo.
Nessa dança de possibilidades, na qual os pecados se vestem de desejo e encontram prerrogativas, nós nos perdemos. A caminhada traz futuros que fogem à razão, com finais que nem de longe remetem às narrativas felizes dos contos de fada. A vida encanta na loucura, suga toda a esperança, destrói todos os sentidos. A paz se esconde nos passos largos e apressados, nos abraços ausentes e ainda nas lágrimas que ninguém vê.
O ar me falta e as palavras, afáveis e encantadoras, escolhem prestigiar os dias com sua doçura absurda. Tornam reais os medos, os sonhos, os acasos e as dores. Misturam em seus contos tudo que eu não consigo explicar. E me deixam atônita com sua limitação, com sua vontade irreconhecível de trazer para perto o que nunca se teve.
As letras, quando unidas, tornam reais os pensamentos que transbordam em nossas mentes. A forma rasa de eternizar a rotina sem graça, revestindo-a de cores cintilantes e que a nada remetem ao que se vê. A cortina de desilusão engana aos desatentos, que julgam que a vibração dos tons corresponde à sua forma de presenciar o inconcebível. Então, a leve mentira é observada, misturada com sentenças enormes que explicam o que se vê e servem apenas como tentativa de tornar a efemeridade algo a mais. Não pertencer poderia ser pertencer. E viver poderia ser eternidade.
As justificativas existem, mas não convencem. O vazio corrói todos os órgãos, um câncer maligno que se transfere na velocidade do pensamento. A mescla entre ser, estar, ficar e mudar enlouquece a qualquer um que tenta entendê-la, deixando o fracasso ser o gosto que permanece nas papilas gustativas. O fracasso. O fim. O vazio. O inimaginável. O absurdo. E os sentimentos que ninguém consegue explicar.












