As fotos, estáticas; a memória, intacta. Por isso que ela sempre cantava “Perfect Memory” o tempo inteiro, não deixando morrer os nossos dias. Ela não poderia deixar morrer, ela tinha que lutar contra tudo para que pudesse salvar a sua alma. E a minha alma, que eu tentava vender a todos os momentos por lembranças baratas e sentimentos supérfluos. Enquanto eu vivia os dias, ela contava os dias, esperando, apenas esperando.

Parecia que estávamos em um filme. Ele era lindo, mas triste. As estrelas iluminavam a nossa noite e as lágrimas povoavam nossos rostos. Éramos apenas dois, um, dois. Estávamos apenas tentando encontrar razões para o que nos separou, formas de superar aqueles obstáculos. Ela, então, falou-me: “Se duas pessoas se amam, não pode haver final feliz.” Era Hemingway, autor predileto dela. E então, ela chorou como se o mundo tivesse acabado. Eu pude ouvir o soluçar forte, perdendo a respiração. O que poderia eu fazer? Apenas a deixei ir embora, esperando que algum dia tudo pudesse mudar.

O futuro se mostra incerto agora. Minhas malas prontas, decidindo o que levarei em meu coração. Parecia idiota, mas por mais que eu a deixasse, sabia que ela estaria comigo. De alguma forma, sabia que Hemingway foi um cara frustrado, porém, exatamente agora, ele estava mais perto de desvendar a nossa história do que nós mesmos. Foi então que eu percebi, realmente, que ela estava em meu coração.

Xinguei-a, acreditei nas mentiras que disseram sobre ela, humilhei-a, ignorei-a, e mesmo assim, ali ela estava. Afinal, o que ela tinha tanta certeza que não desistia? Talvez fosse amor verdadeiro e a história pudesse ter um final feliz…

Agora, a espera. Reconstruir um coração, como se faz isso? Ama-se mesmo quantas vezes? E como você fará para conseguir resolver as coisas que você precisa resolver? Só sei que a vida tem sido muito injusta. Sei que eu gostaria de recomeçar. Mas tudo é um recomeço, certo?!

 

05 de junho de 2006