Pequenas sensações

Eu poderia escrever milhares de poemas sobre o seu toque. A maneira como os seus dedos percorrem a minha pele, arrepiam meus sentidos e estremecem minha respiração. Os sentimentos levando meu corpo a esquecer o mundo, inebriando cada memória com uma história que nunca se repetirá. Cada movimento sincronizado com meus sonhos, o puro devaneio acordado, com bolhas de emoções diluídas no café e no chá.

A delicadeza com que você se move torna o ar escasso. E nesses momentos eu encontro meu lar após o dia infeliz, após a aposta errada na vida e da certeza contínua de que a insuficiência me persegue. Naquele minuto que sintetiza o seu esforço, com seus dedos embaralhando meus cabelos, o amor se mostra inocente e singelo. Suficiente para trazer a paz.

Mas você vai embora descansar. A ausência do toque transforma tudo em inverno. O corpo congela e a memória não funciona. O sentido ausente indica o furacão dentro de mim, a urgência de encontrar o calor que protege das sensações mais absurdas. O ar demora para encontrar os pulmões, que rejeitam sua missão de lutar pela vida. Os órgãos colapsam em desespero ao ouvir seus passos distantes, ecoando o fim.

Você segue no outro sentido, com suas mãos buscando vida. Vida que se desvanecesse no meio dos sonhos e medos. Suas mãos buscam poesia, buscam relevos interessantes, buscam sensações que eu não posso te dar. Eu tenho apenas um corpo cansado e um coração quebrado. Tenho apenas pouco tempo e muitas tarefas. Tenho apenas uma mente inquieta e a insanidade. E ainda sem você, eu tenho apenas a solidão.