Sobre noites estreladas

As estrelas dançavam acima de nós. Naquele infinito rodeado pelo azul escuro, a grama gelada nem chegava a ser um incômodo. Na verdade, parecia necessária para que eu me sentisse viva e para ter certeza de que não era um sonho.
O silêncio era pausado pelo vento, que suavemente se entrelaçava nas folhas das árvores e empurrava algumas pinhas em direção ao solo. Ao tocarem o chão, elas rolavam desorientadas, parando ao colidir com algum obstáculo. Eu prestava atenção nesse movimento até que você decidiu invadir a quietude e tornar seus pensamentos meus:
“Eu poderia ficar aqui para sempre”. Suas palavras soaram tão sinceras que meu coração palpitou rapidamente, eufórico como se eu tivesse corrido uma maratona.
Eu queria responder. Meus lábios se separaram para tentar formar alguma sentença, mas simplesmente paralisaram. O nervosismo tomou conta de minha espinha, entretanto, minhas mãos esboçaram uma reação suave e inesperada: deslizaram e encostaram a sua, temendo que qualquer movimento pudesse esvanecer a claridade de simplesmente estar ali.
Agora, quem não se mexeu foi você. Meus olhos se fecharam na mais aberta agonia como uma forma de aguentar o frio que tomava conta de minha espinha. Eu sabia que deveria desencostar minha pele da sua, admitindo a minha franca derrota, até que você entrelaçou seus dedos nos meus.
Completude. Foi tudo que senti enquanto deixamos o silêncio ser nosso cobertor e nos esquentar com a tola esperança dos amantes.
E no meio de tudo aquilo, o seguinte pensamento tomou conta de minha consciência: “Agora que estou explodindo de felicidade, será que as estrelas também conseguem me observar?”.












