Pequena grande distância

Era possível contar a distância entre nós, mesmo com a multidão que me escondia e me revelava você. Sem querer, estávamos lado a lado, mas ao mesmo tempo, tão distantes quanto estrelas que viajam no espaço e se separam por anos-luz.

As vozes berravam a música que não parava de tocar. Só que tudo isso era silêncio para as batidas incessantes do meu coração, que acelerado, criou uma sinfonia desafinada de sentimentos misturados. Medo. Angústia. Saudades. E a certeza de que o fim é apenas o início de nada.

Eu não sabia como esconder o misto de ansiedade e de melancolia. O olhar deveria prestar atenção em tudo que não fosse você; entretanto, a fixação levava às piores reações, e relembrar o toque de sua pele era infringir às leis que me fizeram superar a ruptura entre o perfeito e o insuficiente. Tentei de todas as formas me conectar a tudo que estava em minha volta, mas o infinito em que residia você me chamava frequentemente, como um buraco negro que consome estrelas pelo Universo.

E meu olhar te encontrou novamente. A camisa xadrez que combinava com seus olhos; o sorriso estampado no rosto de quem está ouvindo sua banda predileta; a barba que, como sempre, crescia desordenadamente organizada, promovendo um pequeno caos em minhas lembranças.

Fechei os olhos e deixei a música tomar conta de mim. Tentei me entregar ao momento e esquecer você, julgando que eu era forte o suficiente. Minha razão mandava, mas meus olhos obedeceram ao coração e, então, eu vi. As mãos na cintura, os beijos no pescoço, e o seu olhar em minha direção. E por um segundo, estivemos no mesmo lugar, revivendo as mesmas lembranças, como se o tempo e o espaço fossem mutáveis a ponto de escolhermos nossa própria história.

Então, o segundo acabou. Você abraçou fortemente ela e isso foi como um soco no estômago, que me roubou o ar e chamou as lágrimas, que percorreram meu rosto sem permissão. Era como se meu coração tivesse sido arrancado do meu peito e, por mais que eu quisesse berrar, a dor do silêncio se misturou com o solo da guitarra e o refrão da sua música predileta.

A sinfonia me trouxe à vida: deixei o som me embalar e cada nota direcionar minha alma para um local diferente. Ali, éramos apenas eu e as melodias fazendo uma nova história. Uma história simples, mas verdadeira – e sem você.