Eu pego em suas mãos, deslizando meus dedos pelos seus, entrelaçando com a naturalidade de dois amantes corriqueiros. Em seguida, embaraço seus cabelos, alisando e enroscando a cada centímetro percorrido, colocando os fios atrás de sua orelha para deixar à mostra seu colo. Devagar, me aninho em seu pescoço, elogiando seu cheio cítrico e floral, adocicado como sua presença. Você desvia o olhar, querendo fugir de seus desejos, fingindo desconhecer a verdade que assola seus mais íntimos medos: você também quer tudo que pode acontecer nesta noite.

As palavras que eu falo viram poesia em sua mente. Enquanto você disfarça um tímido sorriso, eu me aproximo de seus lábios. Então, sugo seu hálito de vinho e canela, com a mesma intensidade que um náufrago submerso infla seus pulmões com ar. Neste momento, sou todo seu. E mesmo seu admitir, você é toda minha. Eu fiz você virar minha enquanto visito teu colo com meus lábios e trago você mais perto, quase dentro de mim.

Eu me inebrio com sua risada, que veio tão naturalmente após uma pequena brincadeira. E para minha surpresa, você levanta minha camiseta, descobrindo cada centímetro das minhas costas. Acaricia meu peito, encosta seus lábios nos meus e vira de costas. Seu vestido escorrega por seu corpo líneo, revelando lingeries novas e uma tatuagem em forma de coração, quase escondida em seu ilíaco. Os olhares se encontram, as mãos se encontram e eu te arrasto para o quarto, em um delírio de prazer, vontade e paixão. Ali, viramos um, tornamo-nos um e eu me embriago em seus beijos, em seu corpo, em você.

A noite acaba e eu te levo para casa. Por um segundo, eu te observo e vejo a beleza de sua juventude, a beleza da sua companhia, a beleza de seu olhar. Nesse momento, finjo que o mundo não existe e sussurro em seus ouvidos tudo que você sempre quis ouvir. Você presta atenção e sai do carro sem se despedir, voltando para encontrar minha boca, que já sabia que você ia fazer esse movimento. Então, você caminha com um sorriso único no olhar, e eu dirijo com a certeza de que foi uma noite inesquecível.

Então, no dia seguinte, eu não te ligo, não te mando mensagem e nem penso em você. No dia seguinte, eu te esqueço, mesmo sem querer. A noite foi inesquecível, mas você não era. Não porque você não era perfeita. Não porque eu não poderia te amar. Mas simplesmente porque eu não quero. Eu não te quero. Eu apenas te quis por um momento – e já acabou.