Venera tua face ante ao espelho:

O sorriso falso, os pecados contidos

As falsas promessas, os olhos vermelhos

A imagem construída, as raízes brancas

As unhas falsas, olhos mentirosos

Frígida inocência

 

Venera tua face ante ao espelho:

a alma pecadora, remorso nenhum

Medo do medo

Solidão itinerante

O vazio está em teu peito

E a dor é insuportável.

 

Chora, chora criatura…

Ninguém ouve teus gritos

Ninguém lembra de ti

Entre tantos infinitos,

jamais tu existiu

Estás sozinha na morte,

Na morte que é esta vida

Vida sarrida, vida solitária

Vida imperfeita, vida infeliz.

 

Venera tua face ante ao espelho:

encara teus medos,

desista como já fizeste

Entrega teu corpo aos vermes

Silencia tua boca esperançosa

Deixa a morte,

vá para o caixão.

Poesia escrita em 07 de novembro de 2000.