A decisão já estava tomada. Não cabia a ela. Não havia o que ser feito. Outra vez, teria que aguentar, teria que se anular, teria que apenas sobreviver.

Ela já passara por dias assim. Dias em que o sol fervente lá fora não esquentava os sentimentos sofridos do peito. Dias em que tudo que ela queria era se perder no tempo e espaço, em suas memórias imperfeitas e em suas vontades ilógicas. Dias em que as lágrimas caíam de maneira tão fácil que era difícil esconder o rímel borrado. Dias em que a a dor sufocava a ponto de ficar sem ar. Dias em que tudo, tudo que ela queria era não ser ela. Ah, esses dias…

Novamente, suas amigas avisavam: “respire”. Como se apenas o exercício de inspirar e exalar fosse suficiente para dar vida para aquele corpo cansado, morada da dor. Respirar não era fácil, mas era necessário. Então, ela o fazia. Ela respirava. Ela tentava mudar seus pensamentos. Ela buscava entender como desistir novamente de ser apenas quem era.

“Desista, garota, desista”. E mais uma vez, ela deu adeus aos sonhos e abraçou seu travesseiro. Não cabia a ela. Não havia o que ser feito. E quando ela achou que iria viver, bem, descobriu que, outra vez, era apenas sobreviver…