Sinto que estou te perdendo. E sinto saudades de nossos dias. Você lembra quando ficávamos conversando até de madrugada, eu sentada implicando com o teu cigarro, e você apenas querendo dormir, fingindo que entendia, resmungando algumas palavras vazias apenas para que eu achar que era importante? Algumas vezes, você realmente prestava atenção, pedia os teus óculos e o cinzeiro, e nessas horas, eu sabia que a conversa iria longe. E ficávamos ali, como se o resto do mundo não importasse. Apenas as nossas palavras, apenas esses momentos.


Você lembra quando me ensinou a dirigir? Eu apenas observava, e você mantinha toda a calma do mundo. Você confiava em mim. Você mandava eu seguir e me falava que eu dirigia que nem homem. Eu ficava orgulhosa, embora soubesse que essa pequena mentira era apenas para me incentivar, não me fazer desistir. Apenas mais uma das mentiras que você me contou, assim quando falava que eu era bela, inteligente e todas essas lindas mentiras que conseguem encher o rosto de qualquer menina de alegria. Só que eu não era qualquer menina, eu era a tua menina.


Lembro de todas as coisas que você sempre me ensinou, ou tentava me ensinar. Quando dividíamos o sofá e brigávamos pelo canal, ou quando eu reclamava por você se perder na frente do computador, ou ainda, quando mesmo bravo, ia me socorrer, me buscar, passar a mão na minha cabeça após alguns gritos. 


Você sempre falava que eu era a mulher ideal para você, e eu sentia o mesmo. Só que sempre fomos diferentes, bem diferentes. Qualquer um sempre achava engraçada essa nossa suposição, até porque sempre fomos diferentes, bem diferentes. Você me irritava, eu te irritava mais ainda, e acabamos descobrindo mais coisas sobre o amor do que qualquer livro poderia nos dizer. Você não ama uma pessoa pelas qualidades; você a ama pelo apunhado de coisas que ela tem, pela forma como ela faz você se sentir… Talvez, apenas, o amor seja inexplicável, embora você nem sempre entenda quando eu te falo isso.


E agora, você não está mais aqui. Você pode dizer que está, mas não está. Você me deixou sozinha, e isso me faz triste, angustiada e raivosa. Sim, raivosa. A vida deveria ser mais fácil do que é, mais prazerosa e mais feliz. Mas ela não é, ela é egoísta, malvada e sarcástica. E logo você, que falou que jamais me deixaria, está indo embora. E eu não posso pedir para você ficar, eu deveria me acostumar com a ideia, que segue apenas a “lei natural”. Só que ninguém nunca me falou que seria tão dolorido, tão triste e tão vazio.


Agora, onde vamos? Não sei. Tenho medo de que nos tornemos meros estranhos nesse mundo tão frio. Eu estou sentindo muito frio, fora o buraco que foi aberto no meu coração. Gostaria tanto que você não desistisse de mim, como você falou uma vez. Apenas que você ficasse ao meu lado, porque tudo está tão escuro… Mas você não pode me garantir isso, pode?


Vou sentir saudades de você. Eu já sinto, mas não acho que você sinta o mesmo. Você está vivendo a tua nova vida, uma nova casa, uma nova mulher. E eu continuo sentindo a tua falta, sentindo falta de antes, quando eu era uma das pessoas mais importantes da tua vida. Agora, diga, ainda sou? Se sou, até quando? E você, desistiu de mim? Porque eu nunca vou desistir de você… Só me faça uma promessa: se eu não conseguir, você será feliz por mim? Promete que vai fazer a tua vida valer por duas? Porque estes dias, eu já não tenho certeza de nada…


Sinto que estou te perdendo. E sinto saudades de nossos dias. E sinto tua falta, meu irmão…

  • Escrito em 2005 para o meu irmão, que amanhã, faz aniversário. Publicação oportuna! = )