Seis meses
Os olhos encheram de lágrimas quando o coração esvaziou de esperanças
E no local se instaurou o vácuo, uma plenitude inesperada, que alimentou o estômago de sensações ensurdecedoras
Os sentidos perderam sua vivacidade quando o salgado chegou à boca
O amargo amargurando o desconsolo do destino
Pequenas memórias perdidas na exuberância da agonia que roubaria o sono
Presa a sonhos irreais veio então a realidade
O calor do sol queimando a pele com a certeza da insinceridade
Vazia em pensamentos, vestida com sentimentos que ecoaram seus medos
A fragilidade da indiferença usando a unilateralidade para justificar as decisões que não cabiam a ninguém
Os indícios de que o anoitecer acometeria barbáries e acabaria com o sossego
As últimas lembranças deitaram-se apáticas mas como rainhas
Restaram da batalha violenta liderada pelas vontades mais singelas
Derrotadas, decidiram ocupar o recinto designado pelo tempo e pela lógica
Mas os olhos ainda encheram de lágrimas quando o coração esvaziou de esperanças
Já que seis meses foram suficientes para entender que a ausência era, na verdade, um adeus.











