As palavras do momento

Há momentos em que as palavras são insuficientes para expressar a dor da ausência. A dor da lembrança. E a dor de saber que, algo que era, não é mais.
Há momentos em que as palavras não fazem mais sentido. A poesia não se escreve. O sentimento se torna tão confuso que não produz mágica nem o amargo: ele apenas existe, coexiste com o passado e se entedia com o futuro.
Há momentos em que eu preciso escrever, mas meu cérebro não funciona. Não sai arte, não sai nada: apenas letras sobre letras brigando para figurarem no branco da tela, tornando negros os espaços para preencher um vazio impreenchível.
Há momentos em que eu queria apenas respirar. Queria conquistar as palavras novamente, transformá-las em música para seus ouvidos, e fechar os olhos e senti-las tomando conta de meu corpo como o sangue que corre pelas minhas veias. Como eu gostaria que as narrativas fossem suficientes para transformar todos esses pensamentos que não se conectam, que estão desamparados na correria do dia a dia e na falta que eu sinto do que eu nunca vivi.
Há momentos em que eu clamo pela escrita, mas ela não vem. Ela se ofende com as minhas intenções, esconde-se no meio dos meus talentos e transita pela melodia enfadonha dos versos sem rima. Ela me mira. Se admira. E, em meus ouvidos, suspira.
Há momentos em que eu quero apenas escrever. Apenas registrar minha pobre vida no papel, escorrendo as lágrimas em vogais mal-acabadas. Quero viver os sonhos em contos tão bem planejados, com finais felizes que escapam à realidade e à razão. Quero somente me esconder de minha própria história, provar o amargo vinho da irrealidade e mergulhar no íntimo do meu ser. Um ser que escreve. Um ser que usa palavras para viver – e para desaparecer.












