Eu escrevi poesias

Eu escrevi poesias para você. Inspirei-me em meus sentimentos e os tornei em versos tão ritmados quanto sua beleza. As linhas singelas declaravam cada vez que pensei em seus braços me envolvendo. A simplicidade de um amor que poderia ter sido perfeito.
Cada linha relembrava um de seus sorrisos sinceros e gargalhadas que ecoavam em meus ouvidos. A sincronicidade de uma vida inteira, fomentada por seus beijos apaixonados. Tantos sonhos recordados em frases inteiras. Tantos desejos eternizados no aconchego das saudades planejadas.
Meus versos percorreram cada centímetro de seu corpo e foram insuficientes para detalhar a complexidade de sua alma. A forma como seu espírito encantava a minha presença, sussurrando palavras doces durante a madrugada.
De ti, eu criei rimas acentuadas, com caldas de caramelo e cobertura de morangos. Tornei-te eterno em frases tão bem planejadas, que dançam aos ouvidos de quem ama. Gritei ao mundo inteiro como sua presença me completava, ostentando felicidade ao adentrar a casa. Toda a simplicidade do que seria um amor exato.
As doces palavras espelhavam a minha alma, que desnuda de maldade, virou avessa aos sentimentos traiçoeiros. Busquei em ti o equilíbrio para o futuro, assumindo que arte seria encaixar minha cabeça em seu colo. Toda a vida direcionada para sonhos realizados nos abraços costumeiros da madrugada. Os pequenos desejos almejados em gestos concretos.
As letras se juntavam de maneira desigual, criando sentido para o absurdo. Momentos de epifania alimentados pela realidade, na luta eterna de equilibrar o que não faz sentido. Mas naquele momento, meus sentimentos criaram sentenças tão planejadas que o amor percorria cada linha. A leveza de uma caligrafia que misturava sonhos realizados e carícias afetuosas.
Toda a paixão retratada em sonetos ritmados, embalados por histórias inventadas na verdade ilusória. E então, a insuficiência criativa me roubou o sono, deixando apenas a frustração pelas obras não contempladas.
Tanto amor desperdiçado em papéis nunca lidos; tantos sentimentos eternizados para jamais serem vividos. Poesias malvestidas que se tornaram manchas para a sociedade enquanto tudo que elas queriam eram debutar para retratar não devaneios, mas histórias tão palpáveis quanto o ar que se respira – mas não se vê.












