A verdade sobre as lágrimas

Elas vieram e não foram convidadas. Rolaram pela face, assumiram comando dos sentimentos e invadiram as memórias dos momentos mais belos. O vazio do molhado, a certeza da incerteza, a fragilidade de tudo que se viveu.

Intrusas. Invasivas. Constantes. Se elas poderiam aparecer pela felicidade extrema, elas decidiram resgatar a insuficiência. Roubaram a paz e levaram a juventude. Deixaram apenas a ausência que devasta a alma, explosão do entusiasmo, o pesar desenfreado. Os passos sem direção.

A dor estampada no rosto. As mazelas que confundem o futuro, que ingressam na respiração espaçada, misturando-se com os brados que perturbam qualquer ação. É o fim, somente o fim. E as lágrimas alimentam-se desse final. Sugam os pensamentos e deixam apenas a verdade: não há mais volta.

Os dias se repetem. A abundância líquida afoga a garganta, infiltrando cápsulas exageradas de tristeza. Os olhos se cerram, mas elas não cessam. Elas continuam conquistando todo o quarto, manchando o colchão, borrando o travesseiro e devastando aquele coração.

Fiéis escudeiras do passado. Fiéis detentoras dos dias cinzentos e chuvosos. As póstumas sombras geladas e escorradias que sempre tornarão vivas as lembranças do pior dia de nossas vidas. Revivido, dia após dia, ano após ano. Até o momento em que meu corpo também se entregará ao não ser, juntando-se ao seu ser.