Irrealidade ilógica

Irrealidade ilógica
Há momentos em que as palavras engasgam na garganta. Momentos como hoje, quando o presente explodiu ao colidir com um caminhão, resultando no silêncio ensurdecedor que calou uma legião com a certeza que não haverá futuro. Histórias que se cessam banhadas em fogo, destruindo almas impróprias com suspiros ofegantes e desorientados. E que por fim, repousam longe e são regadas pelo sofrimento alheio, que enxerga naquele paradoxo a exatidão da vida e a imperfeição do destino.
Esperanças são devoradas. E o medo vagueia os pensamentos. A certeza da incerteza, a possibilidade da impossibilidade. Tudo parece cruel e voltar ao tempo se torna a fórmula certa. Dizer não. Ficar em casa. Perder o horário, mas chegar.
E como há tempos que não via, a nação reclama uníssona suas perdas. Os dons que se foram, os trajetos que tiraram o sono, as dores que se encontraram em um simples abandono. Assim acontece quando a pele consegue sentir o mundo cobrando os nossos pecados, transformando os dias de sol em noites frias e congelantes, já que o sistema nervoso controla os movimentos e insere a tremedeira como resposta ao que não se pode imaginar.
Não foi a primeira vez que eu experimentei essa sensação tão nobre, mas tão estúpida. Quisera eu jamais ter vivenciado a morte e seu gosto amargo. Quisera eu ser inocente a ponto de acreditar que a vida é eterna. E quisera eu não ter que eu ouvir que eu jamais ouvirei novamente.
- Para você, Boechat, e para todas as pessoas que um dia habitaram este planeta e viveram no coração de alguém – como a minha querida mãe.












