Dizem que a calmaria vem depois da tempestade

E em seus braços, eu consigo ver as estrelas despontando atrás das nuvens cinzentas

Em seu afeto, eu reencontro a parcela perdida de mim, que se misturou no breu de sonhos impossíveis e amores infantis

As falsas promessas que fazemos todos os dias na frente do espelho enquanto sabemos o final de cada ação

O seu amor me alimenta, me acalenta, reluz a esperança das crianças que brincavam descalças no asfalto

Das infâncias que não temiam horrores dos dias atuais, do mundo que se reveste da violência para fugir da bela inocência de simplesmente ser

 

A tempestade que virou aquele barco fez as ondas chegarem turbulentas na areia

Apagando as pegadas que deixamos e os castelos que construímos em sedentas horas

A destruição dos sonhos parecia afogar os mais sinceros sentimentos, que se viram cercados de intolerância dos que não podiam ver

E os seus olhos refletiam a iminente decepção, a resposta a todos os meus erros

A dor que carrego em meu peito enquanto escrevo sobre aqueles dias cinzentos

A saudade afogada na impossibilidade e a verdade descarada que me avisava o que eu queria viver simplesmente não existia

 

Enquanto você sorri com as manchas e cortes que ficaram

Eu levanto a minha cabeça tentando voltar ao meu equilíbrio

Sabendo que somente em sua companhia há poesia e música

E no silêncio de sua presença, eu reúno lágrimas e as torno em oração

Em uma viagem sem volta para o futuro que esconde a pureza de simplesmente não saber

E um mundo de céus escuros e estrelados refletindo possibilidades ou impossibilidades

 

As ondas ainda agitam os meus sonhos, levando até à beira do mar os destroços afiados e porosos

As lembranças da embarcação que partiu rumo a uma praia desconhecida e nem conseguiu passar a arrebentação

E você esperando ansioso por mim na areia, abraçando meu corpo gelado e inerte

Devolvendo calor à alma que se fechou em desespero e encontrou ali a serenidade que precisava

Para simplesmente viver e ser feliz