Céu escuro, céu estrelado…
Dizem que a calmaria vem depois da tempestade
E em seus braços, eu consigo ver as estrelas despontando atrás das nuvens cinzentas
Em seu afeto, eu reencontro a parcela perdida de mim, que se misturou no breu de sonhos impossíveis e amores infantis
As falsas promessas que fazemos todos os dias na frente do espelho enquanto sabemos o final de cada ação
O seu amor me alimenta, me acalenta, reluz a esperança das crianças que brincavam descalças no asfalto
Das infâncias que não temiam horrores dos dias atuais, do mundo que se reveste da violência para fugir da bela inocência de simplesmente ser
A tempestade que virou aquele barco fez as ondas chegarem turbulentas na areia
Apagando as pegadas que deixamos e os castelos que construímos em sedentas horas
A destruição dos sonhos parecia afogar os mais sinceros sentimentos, que se viram cercados de intolerância dos que não podiam ver
E os seus olhos refletiam a iminente decepção, a resposta a todos os meus erros
A dor que carrego em meu peito enquanto escrevo sobre aqueles dias cinzentos
A saudade afogada na impossibilidade e a verdade descarada que me avisava o que eu queria viver simplesmente não existia
Enquanto você sorri com as manchas e cortes que ficaram
Eu levanto a minha cabeça tentando voltar ao meu equilíbrio
Sabendo que somente em sua companhia há poesia e música
E no silêncio de sua presença, eu reúno lágrimas e as torno em oração
Em uma viagem sem volta para o futuro que esconde a pureza de simplesmente não saber
E um mundo de céus escuros e estrelados refletindo possibilidades ou impossibilidades
As ondas ainda agitam os meus sonhos, levando até à beira do mar os destroços afiados e porosos
As lembranças da embarcação que partiu rumo a uma praia desconhecida e nem conseguiu passar a arrebentação
E você esperando ansioso por mim na areia, abraçando meu corpo gelado e inerte
Devolvendo calor à alma que se fechou em desespero e encontrou ali a serenidade que precisava
Para simplesmente viver e ser feliz










